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Saúde mental no trabalho e Setembro Amarelo: como o RH deve lidar?

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Desde 2014, o mês de Setembro é conhecido como Setembro Amarelo. Criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), a campanha busca conscientizar e reduzir os casos de suicídios no Brasil. Nesse sentido, o ambiente de trabalho possui uma grande carga de responsabilidade. Afinal, boa parte da população passa mais tempo no trabalho do que em casa, o que torna essencial o debate sobre a saúde mental no trabalho.

Diferentes situações podem levar ao suicídio, fenômeno que tem determinantes multifatoriais e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos. Assim como, também pode ter influências genéticas, culturais e socioambientais. Sendo assim, é um longo histórico de acontecimentos que levam uma pessoa a tirar a própria vida. E não baseado em um fato pontual ou simples.

Por isso, no local de trabalho, o departamento de gestão de pessoas é o mais indicado para estar alerta sobre essa condição. Ele pode realizar atividades de conscientização junto aos colaboradores, abrir o tema para debate e implementar programas que cuidem da saúde mental no trabalho. Que tal conhecer mais sobre o Setembro Amarelo e como a saúde mental no trabalho está ligada a ela?

Índice

Setembro Amarelo: história

Inspirado pelo 10 de setembro de 2003, quando a Organização Mundial da Saúde definiu a data como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, o Brasil iniciou sua campanha em 2014. Além disso, os números de suicídios no Brasil vieram crescendo nos últimos anos, o que torna ainda mais urgente deixar de tratar o tema como tabu. No nosso país, cerca de 12 mil suicídios são registrados todo ano, sem falar dos casos de subnotificação. No mundo, são mais de 1 milhão de mortes.

Dessa forma, o Setembro Amarelo se tornou um programa de informação e conscientização com a população que envolve diferentes organizações. Governo, instituições não governamentais, empresas, órgãos de saúde, instituições sociais, imprensa e entre outras se unem para falar sobre a questão.

A saúde mental no trabalho

Pesquisas demonstraram que cerca de 96,8% das pessoas que cometeram suicídios tinham transtornos mentais. A primeira delas é a depressão, em segundo o transtorno bipolar e por último, o abuso de substâncias. Nesse sentido, a depressão já vem ocupando boa parte dos pedidos de licença médica, junto com a ansiedade. Aliás, esse consiste em um dos tabus mais frequentes no espaço de trabalho, já que muitas pessoas consideram preguiça o que na realidade é depressão, uma doença.

No entanto, é fundamental que o setor de Recursos Humanos trabalhe esses temas com seus colaboradores. A depressão e ansiedade são doenças que como consequência baixam a produtividade, ânimo e geram absenteísmo. Ou também presenteísmo, quando o funcionário está na empresa, mas não rende nem consegue se concentrar.

Para identificar essa condição, devemos analisar o ambiente de trabalho. Muitas vezes ele é competitivo, cheio de demandas, estressante e angustiante. Conviver com equipes e ambientes tensos aumenta as chances de tornar o colaborador mais suscetível à depressão e ansiedade. Sendo assim, a saúde mental no trabalho é dos fatores sobre bem-estar do colaborador que mais merecem atenção.

Como o departamento de RH pode atuar?

Conhecer e reconhecer os primeiros sinais que os funcionários apresentam no caso de depressão é essencial. Como vimos, ele é o campeão na lista de transtornos mentais que derivam para casos de suicídios. Além disso, é preciso criar projetos para o fomento de uma boa saúde mental dos trabalhadores.

Segundo números da Top Employer Organization, órgão que classifica as melhores empresas para trabalhar, as empresas brasileiras investem em programas antiestresse representam 61%. Enquanto que a média mundial é de 82%. Outro dado interessante é que o trabalhador brasileiro cumpre 15% mais horas extras que a média global.

Dessa maneira, se torna estratégico para empresa e para sua marca empregadora, criar medidas para o cuidado da saúde mental no trabalho. Analisar as necessidades do trabalhador, como tornar seu dia mais agradável e identificar como o desenvolvimento profissional pode ser um aliado disso. Isso implica focar em alguns aspectos do ambiente corporativo e do mercado de trabalho. Vejamos mais detalhes abaixo!

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Estratégias para implementar políticas pró saúde mental

Como você deve saber, a gestão de pessoas vêm se tornando uma das principais vias para melhorar o employer branding, o relacionamento entre gestores e equipe, e promovendo melhores condições de trabalho. Nesse sentido, observamos a relevância de alguns pontos:

Plano de carreira

Uma das pressões sociais mais fortes é pelo sucesso profissional. Dessa maneira, uma forma de dar mais segurança ao colaborador e lhe apresentar perspectivas reais sobre seu desenvolvimento na empresa é por meio de um plano de carreira sólido. Desde sua chegada na organização, o RH deve abordar e traçar junto ao colaborador um planejamento sobre quais são as expectativas de empresa e funcionário. Assim como, quais serão os próximos passos do colaborador dentro da empresa.

Mapear o nível de estresse

Dados e números são as ferramentas do profissional de RH deste século. E não há dúvidas que o RH continuará a utilizar esses suportes. Sendo assim, para identificar como anda a saúde mental no trabalho, uma boa maneira é mapear o nível de estresse na empresa. Crie questionários, converse com gerentes e subordinados, identifique comportamentos e etc. O objetivo é obter um relatório sobre como vai o nível de estresse na empresa.

Com isso, será possível planejar ações de acordo com o resultado dessa pesquisa e de que maneira elas atuarão, de forma mais branda e constante, ou acelerada e pontual. Afinal, é possível que alguns membros da sua equipe estejam passando por situações de forte tensão e necessitem de ajuda urgente.

Crie canais de comunicação

Ao abordar o tema da saúde mental no trabalho ou ao implementar programas ligados ao Setembro Amarelo, também apresente formas do trabalhador informar ou cuidar da sua saúde. Formulários anônimos são uma boa alternativa. Ele informa se está passando por momentos difíceis e diz se gostaria de uma indicação sobre o que fazer. Assim como, informar sobre episódios de bullying ou problemas com outros colaboradores que podem estar causando situações incômodas.

Abra a discussão sobre o tema

Nunca é demais abordar, criar rodas de discussão ou enviar informes sobre a depressão, ansiedade e sobre suicídio. Quebrar o tabu inclui atividades como essa em que o tema não pode ser esquivado ou tratado como desnecessário. Falar sobre saúde mental no trabalho é essencial para que o próprio colaborador esteja atento sobre sua saúde psicológica e saiba quando é preciso buscar ajuda profissional.

Invista em benefícios de saúde mental

Outra solução que empresas e RH encontraram foi adicionar serviços de atenção psicológica disponível para seus funcionários. Em tempos de quarentena, esse tipo de benefício foi mais procurado pelos departamentos pessoais, ao lado de softwares de RH. Assim, é possível que os colaboradores tenham acesso facilitado e sem custos adicionais com profissionais de psicologia.

Uma alternativa extra é também oferecer atividades relaxantes, como yoga no trabalho, atividades físicas leves e mais conforto no trabalho. Além disso, pode ser o caso de melhorar as políticas de RH, como estender licenças maternidades e paternidades. Pois, lembramos que a saúde mental também deve implica em tornar o trabalho mais flexível e adaptado às necessidades de cada colaborador.

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Este artigo também está disponível em: Portugal

Escritora e jornalista, autora no blog da Factorial. Escreve sobre recursos humanos, leis, desenvolvimento e treinamento de equipes de alta performance.

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