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O Futuro da liderança – Entrevista com Marcela Niemeyer

Em um momento de tantas transformações, liderar de forma eficiente, positiva e estratégica é essencial. Além disso, o futuro da liderança depende do desenvolvimento de importantes competências, que devem ser exploradas pelos gestores. Na entrevista desta semana, a Factorial conversou com Marcela Niemeyer, uma experiente executiva de Recursos Humanos que já gerenciou times multiculturais em grandes organizações.

Sua experiência envolve o desenvolvimento e implementação de estratégias globais de gestão de talentos em vários locais, e a preparação de líderes com capacidades de nível executivo.

Nessa entrevista, Marcela comenta sobre as transformações trazidas pela pandemia e fala sobre aspectos essenciais para o futuro da liderança. Ela destaca ainda o poder das pessoas em transformar desafios em soluções e dá algumas dicas práticas para se chegar lá.

Apaixonada por apoiar líderes e equipes em seu próprio crescimento e desenvolvimento, Marcela nos ajudou a entender como ajudá-los para que possam ser a melhor versão de si mesmos e ter o melhor desempenho possível.

Confira a entrevista completa a seguir!

Para começar, pode nos contar um pouco sobre sua trajetória profissional? Como começou a sua relação com a área de Recursos Humanos? Como sua formação em psicologia te ajuda na gestão de pessoas?

Eu pensava em fazer psicologia clinica quando comecei a faculdade. Depois de um tempo começamos a fazer alguns estágios, atuar em clínicas, escolas e hospitais e foi aí que eu comecei a perceber que o que eu realmente gostava era do trabalho em equipe.

A clínica é um trabalho muito bonito, mas eu gostava quando podíamos fazer algo por mais pessoas. Na época, como a faculdade era semi-integral, fui trabalhar com marketing. Logo depois fui para o banco Itaú na área de Recursos Humanos, que era o que eu queria. Então eu comecei a ver como era esse trabalho em equipe, fazia pesquisas de clima e trabalhava em conjunto com outras pessoas. Foi uma grande escola.

Eu sempre fui muito curiosa, então eu procurava entender também o que as outras áreas faziam. Lembro até hoje que na Ford fomos trabalhar durante um tempo na manufatura. Nesse momento, tivemos que nos colocar no lugar de profissionais de uma outra área, e se colocar no lugar do outro foi muito importante.

Algo muito forte é a criação de um relacionamento. Às vezes não temos todas as competências técnicas, mas entendendo do negócio e sabendo se relacionar com as pessoas, você consegue crescer com mais facilidade. Dessa forma você ajuda os outros e eles também interagem com você.

Um tema que tem sido muito abordado nos últimos meses é a importância da liderança positiva para o desenvolvimento dos colaboradores. Como um líder pode buscar ter uma liderança positiva? Como isso pode ser feito na prática, no dia a dia?

Eu vivo a liderança positiva a cada dia e é algo em que eu realmente acredito. Na empresa em que eu estou fizemos uma implementação de liderança positiva, mas era algo que eu já tinha em mim.

Tem alguns conceitos que eu trago e que eu acredito muito da liderança positiva. Em primeiro lugar está o reconhecimento. Como reconhecer nossos funcionários e colegas? Não precisa ser só em um grande projeto, mas também no dia a dia, reconhecendo as atitudes diárias das pessoas.

Eu por exemplo liderei um projeto em que eu tinha cerca de 20 pessoas no meu time, do mundo inteiro. No final do projeto eu quis buscar uma forma de reconhecimento para essas pessoas. Então tive a ideia de fazer um troféu e um certificado e houve uma comemoração com cada um deles. Foi uma forma de reconhecer esses times pelo trabalho.

“Eu gosto muito quando vejo as pessoas brilhando, os times se mostrando.”

O outro ponto é relacionado à gratidão. Ou seja, quanta coisa boa temos acontecendo na nossa vida? Temos trabalho no meio da pandemia, podemos trabalhar de casa. Agradecer é sempre importante.

Há também um outro conceito que é o Pay it foward,  em que as pessoas ajudam outras pessoas.

“Muitas vezes quando fazemos o bem sem esperar nada em troca, outras pessoas fazem isso pela gente também. Seja no ambiente de trabalho ou em outro ambiente, se você tem esse espírito de querer ajudar e fazer o bem para o outro, isso volta para você alguma hora.”

Então são esses três conceitos da liderança positiva que são bem importantes. E acho que isso também vale para os gestores, não só para p RH.

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Na sua carreira você já teve que lidar com pessoas de diversos lugares diferentes. São culturas, nacionalidades e backgrounds muito diversos. Como liderar equipes multiculturais? O que é importante considerar nesse caso?

Isso é algo que eu gosto muito, pois estamos sempre aprendendo. Hoje eu tenho um cargo global, que era um sonho que eu tinha. E porque eu gosto tanto?

Porque cada pessoa traz uma experiência diferente, relacionada a onde ela mora, a cultura, às experiências que ela viveu, e então a gente está sempre aprendendo.

É muito importante ter humildade, aprender com essa pessoa. Eu trago a minha experiência para que ela possa aprender, mas tenho a humildade de sempre escutar e envolver as pessoas no projeto.

“Entender os pontos de vista e promover a interação entre as pessoas faz com que um aprenda com o outro.”

Falando sobre a formação de líderes, mais do que nunca hoje se exige mais empatia e flexibilidade. Como encontrar o equilíbrio e engajar gestores para uma liderança mais humana?

Esse ponto é muito importante. Já ouvi no passado que muita coisa está no RH. E na verdade não está no RH, está na liderança. Como você como um líder vai ser o líder que o seu time quer ver?

Eu interajo muito com vice presidente, c-level, suporto eles como business partner e procuro mostrar como fazer esse negocio crescer. E isso é através das pessoas.

“Se as pessoas não estão felizes e engajadas, elas não vão colaborar. A pandemia nos ajudou muito a entender isso. Todo mundo precisou ser mais humano.”

Como damos uma flexibilidade para as pessoas e entendemos cada situação? Eu tenho percebido que muitos gestores que têm realmente sido mais humanos e olhado seus times realmente como pessoas têm conseguido esse engajamento.

O trabalho que eu faço é ajudar os gestores a engajar os times para que isso venha mais deles e não só do RH.

Na sua opinião, quais foram as principais transformações para a gestão de RH durante a pandemia? Quais processos de Recursos Humanos você acredita que vão sofrer as maiores mudanças a partir de agora?

Eu acho que aconteceram algumas mudanças que já tinham que acontecer em 2 ou 3 anos. Tinha muita gente que não era a favor do home office, achava que não dava certo. Para muitas pessoas essa adaptação foi difícil.

“Nesse contexto, você como RH pode se comunicar mais com o colaborador, estar mais próximo e propor atividades que engajem esse colaborador.”

Tem muitas ações que podem ser feitas que não são só ações de RH, mas principalmente ações dos gestores. E como o RH ajuda o gestor ficar mais perto do seu time? Toda essa parte faz parte dessa humanização.

Além disso, ter flexibilidade e resiliência é importante. As pessoas tem que ser resilientes para trabalhar neste novo cenário. A inovação e a criatividade também aparecem, porque se você não tem outros tipos de ideias, como vai fazer para se conectar com as pessoas agora? Como manter essa conexão?

“A tendência é cada vez mais de podermos trabalhar remotamente e criar novas formas de comunicação. As pessoas começam a se arriscar mais, inovar e fazer coisas diferentes.”

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Como uma crise como esta que estamos vivendo pode servir como uma oportunidade para os líderes? De maneira geral você acha que está sendo possível aproveitar o momento de forma positiva?

Eu sempre vejo o copo meio cheio, as coisas de uma forma positiva. Eu acho que as pessoas têm parado muito para refletir, fazer treinamentos, investir no autodesenvolvimento. Houve um ganho de produtividade.

Às vezes há uma perda de produtividade porque estamos com a família, e pode ser difícil de lidar. Mas também há a ideia de superação. As pessoas estão conseguindo trabalhar mesmo com crianças em casa e distrações. E é aí que você prova mais uma vez que consegue.

Com isso vem essa competência de ser resiliente e de estar sempre mudando. Ninguém tem experiência nesse mundo novo. Criamos essa força de não estar preparado mas encarar o desafio assim mesmo, de fazer tudo acontecer em equipe e aprender com os erros.

Para você como é o futuro da liderança? Que comportamentos e atitudes caracterizam o líder do futuro?

“Para mim o líder do futuro é focado nas pessoas. Ele tem que ser um líder resiliente e ter uma aprendizagem rápida.”

É a ideia do Learning agility, que fala muito das pessoas que vivem em um mundo complexo e ambíguo e precisam se adaptar rápido.

Além da liderança positiva que faz toda a diferença, da parte mais humanizada do gestor e de entender o negócio, você tem que realmente ter essa uma certa flexibilidade e resiliência para falar: tudo bem, esta acontecendo essa situação muito diferente. O que eu vou fazer? como vou agir? E engajar as pessoas para isso. É importante motivar as pessoas na direção daquilo que precisa ser feito.

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