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50% de mulheres em posições de liderança: o exemplo da Liv Up para a equidade de gênero no trabalho

Recém eleita entre uma das 100 Startups to Watch 2020 pela revista Pequenas Empresas & Grande Negócios, a Liv Up ainda tem mais para comemorar. No final do mês passado, ela também atingiu uma marca importante : 50% de mulheres em posições de liderança e 51% do quadro de funcionários do total de 550 pessoas. O feito é inédito quando olhamos para os números de equidade de gênero no mercado de trabalho brasileiro: elas tem maior expectativa de vida, são um pouco mais da metade da população e têm mais anos de estudo. No entanto, o número de desempregadas é maior do que a parcela masculina, recebem menos e representam apenas 2,8% dos cargos de gerência.

Para quem não conhece – e não tenha visto no Instagram e Facebook a proposta da empresa, umas das principais plataformas de captação de clientes – a ideia é oferecer comida saudável de preparo fácil. Alguns minutos no microondas e pronto para ir ao prato. A demanda de mercado e a solução da empresa fez com que a Liv Up crescesse rapidamente. De 5 funcionários em 2016, a empresa hoje possui em torno de 300 colaboradores. Entre os desafios de montar uma equipe, estava o debate da questão da desigualdade de gênero.

Sendo assim, conversamos com a Cleide Oliveira, diretora de RH da Liv Up e uma das que impulsionou o projeto de equidade de gênero no trabalho dentro da empresa. Um ótimo exemplo para outras organizações brasileiras tirarem do papel projetos essenciais como este. Assim como, começarem a construir espaços mais diversos, que vai além de uma justiça social, mas agrega valor ao negócio e funciona como um  diferencial competitivo. Leia abaixo a entrevista com a Cleide para a Factorial.

Como surgiu o projeto de equidade de gênero da Liv Up?

C: Desde a fundação da empresa houve uma preocupação em diversificar os perfis porque entendemos que da diversidade nasce a inovação. É um projeto que precede minha chegada, mas que acelerei por entender que realmente tem a ver com a cultura e os valores da empresa.

Por que a empresa enxergava que era uma necessidade a equidade de gênero no ambiente de trabalho da Liv Up?

C: O mundo da tecnologia e da engenharia é historicamente masculinizado e quebrar esses paradigmas é parte do futuro que a Liv Up persegue. Dar mais protagonismo às mulheres é parte do caminho.

Quais foram os pilares e estratégias do RH para que fosse atingida a equidade?

C: Foi um planejamento voltado tanto para o reconhecimento e promoção dos talentos femininos já presentes na empresa quanto para a atração de novos nomes do mercado.

Aproveitamos principalmente para reconhecer os nossos talentos internos e dar mais protagonismo a elas.

O projeto também era interseccional? Se sim, como foi planejado isso? Se não, a Liv Up enxerga outros fatores como raça, classe e orientação sexual como guias para alcançar a inclusão no processo seletivo da empresa?

C: Sem dúvida é um projeto que olha para diversidade em todos os contextos. Temos diversas iniciativas em curso sobre representatividade em outras áreas e diversos grupos identitários já existe como o Negritude e o Pride. Há ainda muitos caminhos e desafios pela frente, sabemos que podemos melhorar e diversificar ainda mais. Os resultados até agora são parte do esforço para construir um time preocupado com o impacto positivo do seu trabalho no seu ambiente e comunidade. Acreditamos que esses valores da empresa têm ajudado a conquistar profissionais mais diversos e de destaque em suas áreas para assumir novos desafios no mundo das startups e ajudar a construir uma empresa cada dia mais diversa e inovadora.

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O que você acha que representa a presença de mais mulheres em cargos de liderança na Liv Up?

C: Da diversidade nasce a inovação. A liderança feminina está presente em toda a empresa, desde o planejamento e estratégia até operações, logística, e-commerce, entre outras áreas. Empresas mais diversas têm maior chance de prosperar. Essa representatividade é muito importante também para estimular gerações mais novas e construir um mercado muito mais justo para as pessoas.

Você já consegue extrair resultados positivos dessa mudança? Se sim, quais?

C: A Liv Up têm crescido e se desenvolvido muito. Durante essa pandemia, por exemplo, entramos na lista da Exame das empresas mais lembradas pelos brasileiros. Também cresceu em 73% a busca pela empresa no Google, de acordo com dados da própria plataforma.

Acho que tudo isso é resultado desse time inovador, criativo, desafiador, empático, ambicioso, que não se contenta com o que está estabelecido e que quer revolucionar o mercado de alimentação no Brasil. Com impacto em toda a cadeia, com produtos orgânicos, saudáveis, naturais. Tudo isso é resultado positivo dessa cultura de fazer a coisa certa do jeito certo

Como a Liv Up conseguiu montar uma cultura organizacional capaz de não “ficar só no discurso”? Como engajar todos no propósito?

C: A Liv Up é uma startup brasileira com o propósito de construir a alimentação do nosso tempo, levando saúde e praticidade de maneira saborosa para o dia a dia das pessoas. Uma startup de alimentação saudável, tem como essência de seu negócio a saúde, o bem-estar e a praticidade. A empresa é movida por grandes desafios e pelo profundo desejo de mudar o mundo por meio da alimentação. É daí que vem a história da Liv Up e esses propósitos têm grande protagonismo na cultura da empresa. O fit cultural é algo super importante para vir trabalhar aqui. Quando se tem essa clareza, engaja-se mais os colaboradores. Todos aqui se sentem parte de uma comunidade colaboradora e quer cause impacto positivo no mundo por meio dela. Foi assim que a cultura da gente não ficou no discurso. Ela é verdadeiramente vivida por cada Liv Uper.

Quais você acredita que tenham sido os desafios do projeto de equidade de gênero?

C: Um dos maiores desafios do mercado para a atuação de mulheres está na área de produto e tecnologia, por conta de todas as barreiras que o próprio mercado coloca no caminho das mulheres para que continuem, persistam e se desenvolvam. Olhamos bastante para isso e chegamos a 31% do quadro feminino nessas áreas.

Por último, qual você acha que é impacto de projetos como da Liv Up para a sociedade? Vocês acham que conseguiram passar a mensagem?

C: O exemplo é a melhor maneira de inspirar e provocar mudanças positivas. Isso é muito verdadeiro na cultura da Liv Up. Aqui trabalhamos com propósito, somos desafiados a usar nosso conhecimento de forma inovadora, diferente, sair do lugar comum e propor soluções para revolucionar  e causar impactos positivos na sociedade.

Temos 51% de mulheres na empresa, 50% em cargos de liderança e somos uma startup dinâmica, de crescimento acelerado. Isso deixa uma mensagem de que o caminho da equidade dá frutos muito positivos.

A Factorial agradece a Cleide e o time da Liv Up pela entrevista! Desejamos muito sucesso e que a empresa continue impactando positivamente o mercado brasileiro de trabalho e equidade de gênero :)

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Escritora e jornalista, autora no blog da Factorial. Escreve sobre recursos humanos, leis, desenvolvimento e treinamento de equipes de alta performance.

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